sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Bonsái

Antes de entrarmos na história, já sabemos o final. Pergunto-me então para que quero saber da história?
Mas será que isso interessava saber?

Foi uma abordagem cruel.
Assim sem contemplações, escarrapachado no écran somos informados, sem sabermos quem eram Emilia e Julio, que Julio vivia e Emilia morria no final do filme.

Bonsai, é um filme que assenta numa história do primeiro grande amor, simples e quotidiano. Algo que facilmente podemos dizer que "Epá ... podia ter acontecido comigo naquela altura ... e tal".
Pode ser aquela história que nos fez ficar de telefone na mão com o coração aos pulos, por ansiosidade, ou quando nos remeteu às voltas sem destino, de profunda tristeza.

O filme é todo uma viagem entre um passado e um presente, entre a ficção de personagens sem nome e a realidade de quando o passado se cruza connosco no meio da rua.

É o nosso destino, ter um passado e um presente e de quando em vez isto cruzar-se no nosso caminho para lamentarmos o que aconteceu, ou sorrir com o que construimos.

No final, apenas ficamos a saber quem foi Emilia, e quem é Julio. Mas desconhecemos o futuro dele, de outros e o nosso. É o destino.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Pequenas Mentiras Entre Amigos


Uma comédia de diálogos fantásticos e sequências de chorar a rir e com momentos de tensão dramática, ou uma das melhores comédias deste ano. Gostei imenso, um filme que pode colocar de lado a ficção e representar um pouco mais os acontecimentos das nossas realidades.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Árvore da Vida

A exclamação no fim do filme ... "Mas que é que foi isto!!!" Realmente, penso que a Árvore da Vida, é um filme que temos de ter um estômago forte para chegarmos até ao fim, senão a sensação é de como se
tivessemos levado um murro em seco. Um filme díficil, que não se centra numa narrativa, mas antes num conjunto de temas que dificilmente têm respostas objectivas.

A vida ou a morte, a criação ou o facto de sermos o que somos (existência), a confiança ou o desconhecido. O haver dois caminhos e saber qual deles escolher tendo a certeza que decidimos pelo o melhor.
É o caminho da graça e o caminho da natureza que nos fazem dividir o percurso da nossa vida.
A graça, assente sobre a fé na "Graça Divina", como sendo o caminho que acreditamos simplesmente em algo que não é palpável, é o caminho interior que enfrentamos.
A natureza o outro caminho, é a crença na ciência que é justificada na lei de Lavoisier que "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", é o exemplo de provas específicas sobre este percurso a seguir.

No casal interpretado por Jessica Chastain e Brad Pitt, encontramos esta divergência. A Mãe é a figura doce, amiga, presente, compreensiva e que nos indica o caminho da graça. O Pai é a figura austera, dura, ausente, que ensina/educa através da pior forma, à semelhança da natureza quando se revolta e se redefine tempos após tempos. O filho (mais velho) de ambos, é figura atormentada que fica entre os dois caminhos, que sabe que é igual ao pai mas não suporta esse sentimento. E depois anos mais tarde (na pele de Sean Penn), é a figura que continua atormentada com o caminho que seguiu (qual deles foi, não digo, fica como exercicio para pensadores!!).

Não somos levados, nem existe a quimica de colar o espectador aos personagens, mas depois no final acabamos por procurar a razão de termos passado as duas horas anteriores a ver imagens e sequências que pouco têm sentido.

Em termos técnicos, achei espectacular a sequência do cosmos e criação do mundo. Por muito que achasse que pouco fazia sentido, agora passados alguns dias até pode fazer.

Revisitei também Barton Springs Pool, em Austin, onde estive à uns meses atrás a dar uns mergulhos!!

Citações:
Mrs. O'Brien: There are two ways through life: the way of
nature, and the way of Grace. You have to choose which one you'll
follow.


Jack: Father, Mother. Always you wrestle inside me. Always you will.


Jack: [whispered voice over] Brother. Mother. It was they that lead me
to your door. 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Last Night

Um clássico. O drama da infidelidade e da insegurança de um jovem casal
supostamente estável e feliz, revisto por Massy Tadjedin (o realizador)
na sua primeira longa metragem. Um argumento que promove um exercicio
interessante ao espectador, criando a expectativa do próximo passo.

Durante o filme, que pode-se dividir em 2 partes, desenrola-se entre a
primeira noite onde acentua a desconfiança e a insegurança de uma relação e
onde todas as perguntas são colocadas independentemente da ausência de
resposta ou não. Uma segunda parte, na segunda noite, onde se espera que
tudo aconteça independente do que os leva a trair ou a confiar. No fim,
o ultimo momento deixa a dúvida de como esta ultima noite irá terminar no
dia seguinte.

Citações:
Joanna: I think, maybe I've never wanted this to change. 
Everything changes, but still hasn't. 
Not for me. I've learned a lesson.


I've saw you this morning, 
and in the middle of most nights when I can't sleep, 
I still replay you.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Source Code

Uma ficção que entrega-nos ao mundo dos universos paralelos, e a sempre dúvida que assiste-nos sobre a alteração do curso da história se mudarmos algo referente ao universo original.

O realizador Duncan Jones, à medida que o filme vai crescendo de conteúdo, filma os 8 minutos antes de uma explosão que envolve dois combóios várias vezes, repetidamente e sempre num único conjunto de cenários, até conseguir definir a história do filme. Ao espectador fica a sensação de que nunca mais saímos do mesmo, mas por outro lado estamos agarrados à história porque ela nos vai dando pistas sobre o atentado.
No final a ultima sequência filmada, deixa a dúvida sobre qual o universo paralelo que prevaleceu. Um excelente final que nos deixa a pensar sobre as consequências na alteração de universos.

Um bom filme para se ver, e para se tentar descobrir o que está mais além do nosso universo.

Citações:


Colter Stevens: What would you do if you knew you only had one minute to live?
Christina Warren: I'd make those seconds count.
Colter Stevens: I'd kiss you again.
Christina Warren: Again?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sucker Punch - Mundo Surreal

Aquilo que sempre acreditei, tudo o que gira à nossa volta, as dificuldades que nos deparam, são apenas medos que construímos dentro de nós.
A honra, vai para quem luta contra esses medos, com as próprias armas ... aquelas em que cada um acredita.
A dignidade, vai para quem acredita que a luta é verdadeira, e que esses medos, serão os mesmos que irão valorizar a vida por que lutamos.

Um filme com uma mensagem forte, envolto num mundo surreal, mas muito real na medida que os nossos sonhos invariavelmente acontecem em mundos surreais, e além da mensagem, é visualmente muito atractivo com uma grande criatividade na construção dos ambientes, variando entre aviões-bombardeiros, e dragões voadores.

Muito boa também é a banda sonora, sempre a acompanhar o filme de inicio ao fim.
Os primeiros 6 minutos são uma excelente apresentação para o que vai acontecer no resto do filme.
Aqui ficam eles ...





Quotes:

Sweet Pea: Everyone has an Angel. A Guardian who watches over us. We can't know what form they'll take One day, Old man, Next day, Little girl. But don't let appearances fool you, They can be as fierce as any dragon. Yet they're not here to fight our battles. But to whisper from our hearts. Reminding that it's us. Its everyone of us who holds power over the world we create.

Sweet Pea: You can deny angels exist, Convince ourselves they can't be real. But they show up anyway, at strange places and at strange times. They can speak through any character we can imagine. They'll shout through demons if they have to. Daring us, challenging us to fight.

Sweet Pea: Who honors those we love for the very life we live? Who sends monsters to kill us. And at the same time, things that will never die. Who teaches us whats real, and how to laugh at lies. Who decides why we live, and what we'll die to defend. Who trains us, and who holds the key to set us free. It's you. You have all the weapons you need. Now fight!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Shutter Island

Um filme dificil, que chega de uma forma gótica e envolto de loucura.
É dificil, porque quaisquer que sejam as nossas interpretação ao enredo nunca chegaremos a conclusão nenhuma, há sempre uma contradição entre o que viamos e o que nos foi apresentado no final. Por isso considero-o de dificil realização, e dificil para o espectador no que em acreditar.

De certa forma somos todos um pouco loucos, não ao ponto de irmos parar a uma instituição psiquiatrica mas numa loucura "soft", e a questão é: será que admitimos essa loucura?

Dois momentos. O primeiro quando chegamos aos portões da instituição e vamos caminhando compassadamente até parar quando os portões abrem. Uma música de fundo a aumentar o ritmo e de intensidade e o nosso coração a bater e a adrenaliza a subir.
O segundo, quando no final o Leonardo di Caprio, depois das reviravoltas todas, fala com o psiquiatra/colega e volta novamente a criar a dúvida do que tinhamos visto.

De resto, uma banda sonora muito boa, e um diCaprio que falta um pouco para criar a tensão necessária a estes filmes.