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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Last Night

Um clássico. O drama da infidelidade e da insegurança de um jovem casal
supostamente estável e feliz, revisto por Massy Tadjedin (o realizador)
na sua primeira longa metragem. Um argumento que promove um exercicio
interessante ao espectador, criando a expectativa do próximo passo.

Durante o filme, que pode-se dividir em 2 partes, desenrola-se entre a
primeira noite onde acentua a desconfiança e a insegurança de uma relação e
onde todas as perguntas são colocadas independentemente da ausência de
resposta ou não. Uma segunda parte, na segunda noite, onde se espera que
tudo aconteça independente do que os leva a trair ou a confiar. No fim,
o ultimo momento deixa a dúvida de como esta ultima noite irá terminar no
dia seguinte.

Citações:
Joanna: I think, maybe I've never wanted this to change. 
Everything changes, but still hasn't. 
Not for me. I've learned a lesson.


I've saw you this morning, 
and in the middle of most nights when I can't sleep, 
I still replay you.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Um Homem Singular

A primeira realização do estilista Tom Ford.
Aprecio a forma como quem nos conta histórias, nos faz prender a atenção. É a narrativa que nos apaixona, são as expressões do narrador que nos fixam o olhar, ou a história da história que nos agarra, ou são os próprios personagens com que nos identificamos e que nos focalizamos nas suas vidas.
Tom Ford, consegui isto, manteve-nos agarrados àquele ultimo dia de George Falconer desde o principio ao fim. Desde o momento que percebemos que a vida dele já não tem sentido sem o seu grande amor, passando pelas memórias que pretendia guardar para sempre, até ao seu ultimo momento, a morte. Excelente na forma como vivemos esse ultimo dia da vida de George Falconer, quando sabemos que tudo vai acabar e nunca mais acaba, porque há mais uma memória para lembrar, uma mais pessoa para encontrar e falar, desabafar, procurar carinho, e um gesto para dar como se fosse o último (e nós sabemos que é o ultimo).

São os momentos deste filme que nos prendem, momentos que nos controlam as emoções, do vermelho por-do-sol, de paixao, do azul tranquilidade, de morte, o amarelo de uma normalidade anormal, e fazem-se sentir ao longo do filme, expondo-nos, transpondo-nos e identificando-nos.

E Tom Ford executa isto, na medida que por cada momento que representa um estado de emoção, aplica um filtro de cor, centrando e ambientando o espectador à reacção pretendida. Uma fotografia brilhante dos anos 60, desgastada sem ser granulada, e com uma profundidade de campo tornando a personagem principal o nosso foco, torna este filme interessante tecnicamente.

Um Colin Firth de interpretação excelente, mas genial está a Julianne Moore numa personagem dificil. Angustiada sem o demonstrar, alegre sendo infeliz, mas controlando a inveja que sente da felicidade dos outros, ela própria o admite no filme. Uma personagem omnipresente na vida singular de George Falconer.

Um filme que serve de reflexão. Do medo, da morte, da vida.

Citações:
George: For the first time in my life I can't see my future. Everyday goes by in a haze, but today I have decided will be different.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Quem quer ser Bilionário?

Vou começar pelo fim.
"It is written."
O destino é o que nós construímos ou é o que nos calha? No meio de tanta confusão e rebuliço das nossas vidas, que raio é que é o destino?
Danny Boyle, coloca-nos esta questão no principio do filme. E vai-nos respondendo ao longo da história de uma vida de Jamal Malik.
Por um lado a nossa perseverança nas crenças que assumimos e a coragem nas decisões que somos obrigados a tomar, são factores que nos podem guiar para que consigamos encontrar o nosso destino. Por este prisma somos nós que construímos o caminho em busca desse destino.
Por outro lado, se esse destino não está já escrito, de maneira que hajam provas de que ele está à nossa espera, no sentido de encontrarmos algum sinal que nos faça acreditar então não há como acreditar no caminho mais correcto.

E foi isso que senti. Por muita merda que somos obrigados a nos meter, por mais lutas desiguais que tenhamos de travar, por mais rombos na nossa alma, se nunca chegarmos a ter sinais de que de facto o nosso destino é aquele que acreditamos, dificilmente iremos ter a coragem de voltar a reerguer e voltar a lutar contra todas as vicissitudes.

O retrato de uma India miserável. O postal de uma cidade tal como ela é. A confusão de quem vive integrado numa sociedade completamente "overcrowded" e todas as dificuldades inerentes, que passa pela politica, religião e cultura, que não agradam a ninguém, estão bem expressas neste filme. É dificil, mesmo num 'retrato documental' experienciar um novo país e conhecer as suas características, mas penso que podemos ter alguma noção de como é a India, apesar de eu defender que para conhecermos, temos de lá estar e ver com os nossos próprios olhos, sentir com a nossa pele e cheirar com o nosso olfacto.
Podemos comparar um bocado com o anterior The Darjeeling Limited, onde conseguimos encontrar os cheiros e cores da India, enquanto neste encontramos a sociedade que lá sobrevive.

Quanto ao filme e produção em si, achei que a banda sonora encaixa muito bem em várias cenas, especialmente nas cenas de perseguição e de maior tensão. Penso que brevemente vamos poder ver alguns destes actores de Slumdog fora do ambiente de Bollywood, e aí estou bastante curioso quanto às suas prestações.

Citações:

Jamal Malik: I knew you'd be watching
Latika: I thought we would meet only in death.
Jamal Malik: This is our destiny
Latika: Kiss me

Prem Kumar: So are you ready for the final question for 20 million rupees?
Jamal Malik: No, but maybe its written, no?
Prem Kumar: Maybe...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Rapaz do Pijama às Riscas

Um confronto entre a inocência pura e a monstrousidade da razão.

A história de uma familia alemã (nazi) que se muda para uma casa nova, perto de um campo de concentração nazi. Ali o rapaz descobre uma quinta onde trabalham pessoas esquisitas vestidas sempre de pijama e depois encontra um amigo (que não deveria ser amigo) para poder brincar.
Sejamos nós crianças para todo o sempre e este mundo seria muito mais feliz. O facto de crescermos e tornarmo-nos Homens, transforma-nos em detentores de uma razão sofismável, encoberta no conjunto de ideias que nos foram incutidas ao longo da nossa vida. Tornamo-nos fechados nos nossos mundos, independente da grandeza de qualquer um. A capacidade e habilidade de explorar-mos o desconhecido, de efectuar as perguntas do que nos rodeia, da curiosidade que nos move, vai-se perdendo e vamos deixando de ser as crianças. E enquanto crianças somos puras de consciência, não se importa se descascamos batatas ou praticamos medicina, não importa o se nome "shmul" é nome ou não, não sabemos o que é mal ou bem mas regimos segundo a nossa consciência, não receamos os nossos medos, e estes sentimentos deveriam perdurar connosco e saberíamos enquanto adultos mais tarde, ter um mundo melhor entre nós.

Este filme, fez-me recuar também ao "A vida é bela", o meu filme, onde encontramos na magia da brincadeira, do jogo, a esperança de uma luta. Qual será o meu número de jogo? Onde é que começa e termina o jogo que estamos a jogar? Como se joga este jogo? O que ganhamos no final do jogo?


Citações:
Bruno: We're not supposed to be friends, you and me. We're meant to be enemies. Did you know that?

Bruno: There is such thing as a nice Jew, though, isn't there?
Herr Liszt: I think, Bruno, if you ever found a nice Jew, you would be the best explorer in the world.

domingo, 16 de novembro de 2008

Ensaio Sobre a Cegueira

Primeira Nota:
Fui ver o filme, no dia de estreia e na sessão mais concorrida de pitas que nunca foram ao cinema. Resultado ... ficar numa lateral da sala, com uma sala a abarrotar, e com as pitas a matraquearem a«o filme todo. Pior foi ainda gozarem com os pobres dos cegos. Conclusão ... nunca deixar a minha regra, de ir ao cinema só aos filmes que já estrearam à mais de uma semana.

Quanto ao filme, prefiro falar somente do filme e não da interpretação do filme sobre a alegoria da "cegueira" escrito por Saramago no seu romance.

Cheguei ao fim, com uma sensação de claustrofobia e penso que se deveu a uma fotografia bastante sobreexposta. Realmente não tenho muito mais a dizer, penso que a leitura do livro é indispensável, embora não tenha lido o livro, e pelo que li de outras críticas e mesmo pela percepção de José Saramago, creio que o filme está muito próximo do livro.

Interessante foi chegar ao fim do filme e não saber o nome dos personagens. Aliás, se formos cegos para que é que nos interessa saber o nome das pessoas (será que foi isto que pensaram ?)

Citações:
King of Ward 3: I will not forget your voice!
Doctor's Wife: And I won't forget your face!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Enfim juntos ...

Uma história simples, de vidas simples ... e plenamente identificáveis com vidas reais.
Descobrir que pequenos passos, como um convite para jantar, ou um presente deixado à porta do quarto, podem ser sinónimos de mudanças radicais na nossa vida, e sem saber estamos a criar as nossas relações de amizade, de afecto, de amor, de simpatia ... em tudo o que a vida nos retribui.
Um filme que nos traduz, como disse acima, histórias da vida real, que a meu ver tem um final de sonho, de conto de fadas, e que foge à simpatia que foi ver 95% do filme ignorando um final feliz.

Gostei imenso de sair da sala do Nimas bastante descontraído depois deste filme, convencido que haverão momentos únicos em que 'cliques' mudarão, ou darão empurrões significativos aos rumos que seguimos ...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

The Darjeeling Limited

Um filme já esperado desde a umas semanas.
Bastante interessante deste o tema abordado, como o diferente cenário utilizado para tal.
O cenário para mim é algo de fascinante, pois trata-se de uma das minhas metas para realizar. Um viagem de combóio pela India. Acho que só faltou chegar mesmo o cheiro daquelas terras à tela do cinema (bem, mas só de alguns cheiros estou a falar, certo!!!).
O tema, também é algo que nos dias de hoje se vê e creio que nunca vai deixar de existir e será sempre um enigma da nossa existência. A amizade, cumplicidade, confiança, entre irmãos. A questão de entre irmãos, que se não houvesse consanguínidade entre essas pessoas, e se por acaso não fossem "obrigadas a viver dentro da mesma saia", elas realmente iriam ter a mesma amizade se encontrassem noutras circunstâncias e com outros intervalos temporais?

Um filme giro de se ver, e de podermos disfrutar de alguns momentos hilariantes. Penso que Jason Schwartzman está excelente na pele de um dos irmãos, com um ar de despreocupado e meio alucinado (pormenor de passar o filme todo descalço). O Owen Wilson, é uma autêntica Mãe porque confunde-se por estar na pele de irmão mais velho. Quanto a Adrien Brody, personifica o irmão que é o mais distante dos outros.

Mais uma. Aquela viagem de táxi ao ínicio do filme, é algo que é mesmo assim. Sem tirar, nem pôr, uma experiência alucinante viajarmos de táxi em qualquer parte da India (por experiência própria).

A ver nem que seja pela, Natalie Portman (bendita curta-metragem inicial), Viagem de combóio.

Citações:
Francis: [Francis and Peter are beating each other up] You don't love me!
Peter: Yes I do!
Jack: I love you too, but I'm gonna mace you in the face!

Jack: What did he say?
Peter: He said the train is lost.
Jack: How can a train be lost? It's on rails.

domingo, 20 de janeiro de 2008

O Sonho de Cassandra

Em sequência de MatchPoint e Scoop, surge-nos agora O Sonho de Cassandra, continuando a saga de Woddy Allen na realização de filmes em Londres com o tema de homicidios por base. Uma fórmula que resultou muito bem com MatchPoint, mas que neste filme dá a sensação de que já vimos do mesmo. Woddy Allen, mostra-nos que um perfeito crime é impossível de fugir a qualquer punição, e que a sorte de alguém é o desespero de outro.
Nos diálogos mantêm uma mesma característica, numa forma low-profile, definindo uma certa "inconsequência lógica" e de algum modo disconexos, mas revelando sempre mais alguma coisa.
Nesta mesma fórmula, surge-nos também uma mulher atraente, que na primeira cena que aparece está vestida com um vestido branco bastante sexy, tal como Nola Rice, na primeira cena que aparece em MatchPoint.

Colin Farrel, acrescenta uma forte representação da sua personagem, conseguindo ao longo do filme um crescimento na intensidade dramática que dá a Terry, um tipo que vive à custa de jogo e apostas, até que se dá mal. Está mesmo muito bem, ao nível se calhar da Cabine Telefónica, onde também esteve muito bem.

Gostei também da banda sonora a acompanhar todo o filme, mantendo sempre alerta o espectador para algo que pudesse acontecer, muito próxima do que se fazia antigamente em filmes de suspense (relembrando eu aqui alguns hitchcocks)

Citações:
Terry: And if God exists?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford

O gosto que tenho pelo cinema é a capacidade que existe de saber-se contar uma história.
Ora, aqui neste filme, está uma história bem contada e que dá gosto em pedir mais (e o filme tem "só" 2h40min, quando ele foi filmado para 4 horas).
Com produção de Brad Pitt e realização de Andrew Dominik, contam-nos uma história de um assassino lendário, que reza a história matou 17 pessoas em assaltos a combóios, e de como viveu os seus ultimos meses de vida.
A forma como Jesse James prepara e encoraja o seu assassino, para o seu próprio homícidio, é a base desta história. De como usou e manipulou, quem o considerava um ídolo e que queria ser como ele, até ao momento de lhe "dar" as costas para que Robert Ford o alvejasse.
Foi quase como o transformar-se de um verdadeiro assassino, numa vitima, que por sua vez se torna uma lenda dos Estados Unidos. Jesse James, passa assim a ser a lenda, ao contrário de Robert Ford, que supostamente sendo ele o assassino do bandido mais procurado na altura, deveria granjear a fama do mais corajoso americano. Mas o "tiro", neste caso, saiu-lhe ao contrário, porque quem ficou para a história foi o bandido, e o justiceiro ficou marcado como um cobarde que alvejou pelas costas.

Não só tem uma história bem contada, como tem umaa fotografia que é excelente, e também a presença e a interpretação de Casey Affleck na personagem de Robert Ford está divinal. Atrevo-me a considerar Casey Affleck, pelo menos, para os nomeados aos óscares de melhor actor secundário.
Quanto ao Pitt, aquela figura de tipo "todo bom" para as gajas, já não figura neste écran, mas também com a Angelina, não precisa ele mais dessas poses, e finalmente pode-se constatar melhor o desempenho dele enquanto actor.

Citações:
Jesse James: Do you want to be like me? Or do you want to be me?

Robert Ford: Each man kills the things he loves.

Robert Ford: It is interesting the many ways you and I overlap; you're the youngest of three James boys, I'm the youngest of five Ford boys. You have blue eyes, I have blue eyes. You're five feet eight inches tall, I'm five feet eight inches tall.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Peões em Jogo

Falar deste filme, não se deve resumir só a falar de estratégias politicas ou estratégias de guerra. Penso que é muito mais do que isto.
É um filme que fala de pessoas e de histórias de pessoas, de ideiais e crenças, de coragem e tomadas de decisão. Os intensos diálogos, que se prolongam durante quase todo o filme, entre Robert Redford e o seu aluno, e entre Cruise e Meryl Streep, a forma como são desenvolvidos e como são conduzidos quer por Cruise, quer por Redford, tendem a confrontar-nos (neste caso, nós "público" na pele do estudante ou na de Meryl Streep) perante todas as decisões que somos obrigados a tomar, e termos consciência dessas mesmas decisões.

É o que falta a este mundo de hoje, a capacidade de se tomar as decisões mais correctas e a sabedoria para justificarmos essas decisões.

Além desta mensagem, gostei da forma como o filme está construído. Desenvolvido com base em 3 histórias. Para além dos dois diálogos já mencionados acima, existe uma outra parte da história que sendo comum às duas cenas anteriores, faz parte da acção que é necessário ter nos dias de hoje, e que se passa nas montanhas do Afeganistão durante a guerra do Iraque.

Não podemos só falar, temos de agir e saber agir com coragem consoante as nossas crenças e sentimentos.


Citações:
Todd Hayes: Who never says anything even though he never stops talking.